7 de novembro de 2012

(b)ônus

A eterna busca de sermos quem idealizamos ser. Procuramos brechas no destino onde encontremos nosso reflexo mas nítido. Onde possamos nos ver com clareza e satisfação. Ser quem podemos e queremos ser. Então entre essas brechas surgem também os becos. Nos perdemos entre possíveis atalhos que se transformam em desvios que tornam a caminhada mais longo e consequentemente com grandes aprendizados. O ônus e o bônus lado a lado. Ser quem idealizamos ser é uma ilusão, uma utopia. Somos os atalhos e as estradas. Somos a escolha do percurso e os olhos com que vemos a paisagem. Gravamos na memória nossas impressões e essas formam nosso ser mais essencial.

6 de outubro de 2012

Simplesmente e completamente.

Era quinta-feira e tudo parecia como antes, exceto a poluição visual que vem com todo processo eleitoral nas cidades em que existe segundo turno. Naquela tarde, daquele dia em que acordei afundada entre lágrimas e saudades, caminhava pelas ruas distantes da realidade. Já não reconhecia mais nessa cidade os sentimentos que outrora em mim habitavam. Chorei por estar e não por inteiro.

Sempre gostei das quintas, mas aquela me pareceu com uma melancolia ímpar. Saber que na semana passada estava com as pessoas que amo me fez sofrer e me sentir só, no meio de uma multidão, panfletos, jingles e placas com pessoas sorridentes.

A quinta passou e hoje tudo parece mais claro e menos embaçado pelas lágrimas. Hoje foi um dia agradável,  mas mesmo assim um tanto quanto triste. Não estar por inteiro é uma sensação terrível, uma nova lição para a vida. A partir de hoje todas as vezes que eu estiver pela metade vou  mudar. Estar ou não estar. Simplesmente e completamente.

Toda a maturidade que sempre acreditei levar como grande característica vem destruindo-se a cada nova lição. Tudo que eu já teorizava com orgulho e certa certeza se desmancha diante a vida real. 

Sonhos de ontem, realidades de hoje. Então o sonho não é tão bonito e vem outro e outro e outro. A vida segue. Busquemos, mas que a busca seja feita com nosso eu inteiro. Não um para cada lado, que as buscas sejam de corpo e alma. Com força e sentimento.

27 de setembro de 2012

Da hipocrisia que toma conta

Às vezes me pego pensando que nada que surgiu nos anos 2000 faz um sentido que deve ser levado a diante. Efêmeras, na maioria das vezes assim que me parece ser a forma mais correta de classificar o que surgiu no século XXI. Mesmo que eu e toda minha geração tenhamos nascido ainda no fim do século passado não trazemos conosco a essência calma de quem cresceu distante da corrida pela velocidade que vem em bytes.

Sei que não é certo ficar lamentando o tempo em que nasci e em que vivo. Coisas que estão fora do controle não merecem tantos pensamentos, isso traz aflição e só. Mas mesmo assim esse pensamento não me foge à mente. Algumas vezes penso que sai no lote errado, assim como alguns outros que me acompanham, mas a maioria dos que vieram com a mesma data de validade que eu são do time da hipocrisia embalada pra viagem.

Tantas e tantas vezes essa tela a que agora em entrego me apresenta sinais claros de como falta serenidade aos que estão ao meu redor. Há quinze minutos você estava agindo de forma x, por que agora defende ideais que contrariam tanto tuas atitudes? Sim, sei que a mudança faz parte da vida, mas quinze minutos é pouco tempo para idealismos demais. Idealismo de perfil de facebook, literatura de citação barata, música de vídeos do youtube, fãs das bandas que aparecem no seu last.fm.

Venha conversar, venha me dizer com calma do que você gosta, o que você pensa, o que você quer. Tome um café se você gostar de café. Também posso oferecer um chá de camomila, para acalmar essa mente que não sabe ser um só, nesse mundo que vem em uma velocidade que infelizmente nos permite viver vidas demais. Superficiais demais, hipócritas então.